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O que o backup criptografado do WhatsApp protege
O backup criptografado protege uma coisa específica: a cópia das suas conversas na nuvem. O que ele cobre, o que não cobre e a troca que você faz.
By WaChat
O WhatsApp é criptografado de ponta a ponta há anos, o que leva muita gente a supor que tudo nele já está coberto. Aí aparece uma tela de configuração oferecendo ativar a criptografia de ponta a ponta para os backups, e a pergunta óbvia é o que exatamente estava sem criptografia até agora.
A resposta vale ser entendida, porque essa configuração específica vem com uma troca real e permanente.
Duas criptografias diferentes
As mensagens em trânsito são criptografadas de ponta a ponta há muito tempo. A mensagem sai do seu celular criptografada e é descriptografada no celular de quem recebe. Ninguém no meio — nem a rede, nem o WhatsApp — consegue ler.
Os backups em repouso eram outra história. Quando o seu celular enviava um backup noturno para o Google Drive ou o iCloud, aquela cópia ficava sob a proteção do seu provedor de nuvem, e não sob uma chave que só você tem. Não estava exposta ao mundo, mas o modelo de segurança era fundamentalmente diferente daquele que protege as mensagens em si.
O backup criptografado de ponta a ponta fecha essa lacuna. O backup é criptografado no seu celular, antes de ser enviado, com uma chave que o WhatsApp não guarda.
As duas formas de guardar a chave
Quando você ativa, o WhatsApp pergunta como você quer guardar a chave, e a escolha importa:
Uma chave de 64 dígitos. O WhatsApp gera uma chave de 256 bits, mostra uma única vez como sessenta e quatro dígitos hexadecimais e não guarda cópia. Nada dela fica armazenado em nenhum servidor. É a opção mais forte e a menos tolerante: perdeu esses dígitos, o backup fica permanentemente ilegível.
Uma senha. Você escolhe uma senha, a chave é derivada dela e fica em um cofre de chaves em hardware que só abre com essa senha e limita rigidamente as tentativas. Mais conveniente, porque dá para recuperar um backup lembrando de algo. Um pouco mais de superfície exposta, porque o material da chave existe em algum lugar além da sua cabeça.
Uma chave de acesso. Mais nova, e o padrão que o WhatsApp agora oferece em muitos aparelhos. Ela amarra o backup à biometria do seu dispositivo. Muito conveniente para restaurar em um celular novo, e vale conhecer uma consequência: uma chave de acesso vive dentro do hardware seguro do dispositivo e não pode ser exportada, então nada fora do WhatsApp — incluindo o WaChat — consegue usá-la para abrir o backup. Se você quer poder ler o seu próprio backup com outra coisa, escolha a chave de 64 dígitos.
Há um texto mais longo especificamente sobre a chave de 64 dígitos: a chave de 64 dígitos, explicada.
Contra o que ele protege
| Ameaça | Protegido? |
|---|---|
| Alguém consegue acesso à sua conta Google ou Apple | Sim — o backup é ilegível sem a sua chave |
| Os funcionários ou os sistemas do seu provedor de nuvem | Sim |
| Uma ordem judicial dirigida ao provedor de nuvem | Sim — eles têm bytes que não conseguem descriptografar |
Alguém tira o arquivo crypt15 do seu celular | Sim, desde que não tenha também a sua chave |
| Alguém desbloqueia o seu celular | Não — o WhatsApp está aberto nele |
| A outra pessoa da conversa fica com a cópia dela | Não |
| Capturas de tela, encaminhamentos ou uma exportação sua | Não |
| Você perder a chave | Não — e esse é o risco que de fato acontece |
O padrão fica claro assim que você o enxerga: o backup criptografado protege a cópia na nuvem. Ele não faz nada quanto a cópias que existam em outros lugares, e sempre há cópias em outros lugares. Toda conversa tem pelo menos dois participantes e pelo menos dois celulares.
A troca que você está fazendo
Não existe caminho de recuperação. Isso não é uma limitação esperando ser melhorada; é o mecanismo inteiro. Se o WhatsApp pudesse restaurar o seu backup para você, então o WhatsApp poderia ler o seu backup, e ele não seria criptografado de ponta a ponta.
Então ativar isso move um risco real de um lugar para outro. Antes: o seu backup era legível por um provedor em quem você confia em graus variados. Depois: o seu backup é legível por ninguém além de você, e a chance de você perder o acesso aumenta.
Essa troca geralmente vale a pena. Mas ela só funciona se você tratar a chave como algo que você realmente guarda — uma entrada em um gerenciador de senhas, ou escrita em papel em algum lugar onde você a encontre daqui a dez anos. Uma captura de tela na sua galeria não é isso: galerias de fotos sincronizam com a nuvem, entram em álbuns compartilhados e aparecem em widgets de "neste dia" enquanto outra pessoa olha para a sua tela.
Como ativar, do jeito certo
A ordem importa, e errá-la é o problema mais comum que as pessoas enfrentam depois.
- Configurações → Conversas → Backup de conversas → Backup criptografado de ponta a ponta.
- Toque em Ativar. Se já estiver ativado com uma chave de acesso e você quiser os dígitos, desative primeiro e ative de novo.
- Escolha "Usar chave de criptografia de 64 dígitos".
- Guarde a chave em um lugar durável. O WhatsApp mostra uma vez só.
- Rode um backup novo. Volte para Backup de conversas, toque em Fazer backup e espere terminar.
O passo 5 é o que as pessoas pulam. Gerar uma chave não recriptografa o backup que já existe — o arquivo de ontem continua selado com a chave de ontem. Até você rodar um backup novo, a chave que você acabou de salvar e o arquivo no seu celular não batem, e qualquer tentativa de abrir reporta chave errada. O artigo chave errada percorre as outras causas.
Cada vez que você desativa e reativa o backup criptografado, o WhatsApp gera uma chave nova. Os arquivos de backup antigos continuam trancados na antiga. Se você arquiva backups antigos, arquive a chave correspondente junto, identificada.
O que isso significa para ler o seu próprio histórico
O backup criptografado é o motivo pelo qual você consegue ler o seu próprio arquivo de histórico — e o motivo pelo qual ninguém mais consegue.
O arquivo local no Android, msgstore.db.crypt15, é o mesmo banco de dados criptografado, selado com a mesma chave. Como você tem essa chave, você pode descriptografá-lo e obter todas as mensagens de todas as conversas, sem nenhum dos limites que valem para exportar uma conversa. É isso que o WaChat faz: a descriptografia roda em um worker em segundo plano no seu navegador, ou dentro do app Android, usando a sua chave. A chave não vai para lugar nenhum, não é gravada em log e não entra em relatórios de erro. Se você prefere não guardá-la, cole a cada vez e ela vive só durante aquela sessão.
A mesma propriedade torna uma regra absoluta: nunca envie a sua chave para ninguém. Nem para o suporte, nem para nós, nem para um serviço que se ofereça a ajudar. O arquivo sozinho é inútil para um atacante e a chave sozinha também é — todo o modelo de segurança se apoia em esses dois nunca viajarem juntos. Quem pede a sua chave está pedindo a única coisa que torna o seu backup legível.
Por onde seguir
O backup criptografado de ponta a ponta faz com que a cópia das suas conversas na nuvem só seja legível por você. Ele não protege o seu celular, o celular da outra pessoa, nem nada que você exporte — e torna a perda da chave definitiva.
Ative, escolha a chave de 64 dígitos, rode um backup novo e guarde a chave onde você guardaria um passaporte.
- Passo a passo, com o alerta sobre a chave de acesso: obter a sua chave de criptografia de 64 dígitos.
- Exatamente o que a gente vê e o que não vê: privacidade: o que vemos e o que não vemos.
- Usar a sua própria chave para ler o seu próprio histórico: o guia de importação.